Centro de Atendimento Integral ao Fissurado Lábio Palatal

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OTORRINOLARINGOLOGIA


Ouvidos, nariz e garganta são os “vizinhos” das áreas que as fissuras faciais acometem. Estando em regiões vizinhas é fácil imaginar que poderá haver problemas nessas áreas e que esses problemas serão consequência da fissura.

OUVIDOS:

Quando se trata de fissuras orais/faciais os ouvidos são os mais acometidos. Por isso os pais devem, obrigatoriamente, levar seus filhos para uma verificação da audição chamada “triagem auditiva”. Essa triagem é realizada em algumas maternidades já ao nascimento, mas se tal serviço não estiver disponível na maternidade em que seu filho nasceu, traga-o para avaliação com o otorrinolaringologista assim que possível. É difíci para os pais perceberem os sintomas de diminuição da audição em seus bebê, por isso o exame deve ser realizado de preferência no primeiro mês de vida e o diagnóstico concluído até o 6º mês. A razão para avaliar e acompanhar os problemas de audição nas crianças com fissura, é que as pessoas com fissura de palato têm uma dificuldade de ventilação dos ouvidos. O motivo para essa dificuldade, conhecida como “disfunção tubárea”, é que os músculos que devem abrir e fechar a tuba auditiva (responsável por comunicar o ouvido com a garganta e manter os ouvidos ventilados - vide ilustração 1) estão envolvidos na fissura de palato e por isso têm sua função prejudicada.

Ilustração
Ilustração 1

Assim há um acúmulo de secreção (catarro) nos ouvidos que impede o mecanismo normal da audição de acontecer e, portanto prejudica a audição e também pode gerar inflamações repetidas de ouvido. Quando há perda de audição pelo acúmulo de catarro (chamado de otite serosa) a criança tem muitas infecções de ouvido, sempre precisando usar antibióticos. Se a perda auditiva existe ou a criança tem infecções de ouvido repetidas é necessário fazer uma cirurgia para colocar um pequeno tubo, também conhecido como carretel, chamado de tubo de ventilação. Esses tubos de ventilação são colocados através de uma cirurgia simples, que restaura a audição e previne as infecções repetidas. As crianças que são acompanhadas pelo otorrinolaringologista e, se necessário, realizam o tratamento adequado, dificilmente têm problemas de audição na idade adulta relacionados à fissura.

NARIZ:

Problemas relacionados ao nariz são frequentes nas crianças e adultos com fissura oral/facial, principalmente nas fissuras que acometem um lado apenas (fissuras unilateriais). Esses problemas podem causar congestão ou obstrução nasal, assim, a criança/adulto precisa respirar pela boca, fato que ocorre principalmente durante o sono. A causa dessa obstrução é que o septo nasal (que é o “muro” que divide o nariz em duas partes, as fossas nasais) pode, com o desenvolvimento do nariz, sofrer um desvio para o lado da fissura. Esse desvio do septo nasal (vide ilustração 2) bloqueia a passagem de ar pelas fossas nasais e a criança ou o adulto sentem o nariz constantemente trancado e, então, durante o sono respiram pela boca e podem apresentar roncos.

A obstrução nasal crônica também pode levar ao hipodesenvolvimento dos seios da face, espessamento da mucosa, além de outras alterações histopatológicas que levam ao desenvolvimento de sinusite de repetição ou crônica.
Quando os sintomas acima forem observados é importante uma consulta ao Otorrinolaringologista.

Ilustração 2
Ilustração 2

GARGANTA:

Problemas de garganta são muito comuns, especialmente nas crianças. Sejam infecções de repetição ou aumento do tamanho de amígdalas e adenóides (ver ilustração 3). É um problema tão frequente na infância, que coloca a cirurgia das amígdalas e adenóides no segundo lugar das cirurgias mais realizadas no mundo.

Ilustração
Ilustração 3

Roncos, pausas respiratórias e respiração oral são sintomas sugestivos que problemas nestas áreas estão ocorrendo. A solução dessas questões com a cirurgia das amígdalas e adenóides não seria um problema se não fosse a fissura de palato.

Como para falarmos, na infância, encostamos o palato mole na região da adenóide (vide ilustração 3), ao retiramos a adenóide com a cirurgia podemos deixar um espaço aberto nessa região, isto é, o músculo do palato não consegue chegar até a parede onde estava a adenóide e, assim, não fechando toda a região do esfíncter velofaríngeo. Decorrente desse espaço pode ocorrer um escape de ar nasal durante a fala, resultando na voz hipernasal (“fanha”). Desse modo, é fundamental a análise do otorrinolaringologista que atua na área de malformação craniofacial. Ele é o profissional com capacidade para indicar ou não o procedimento e escolher a técnica adequada para cada caso.

Nas crianças que necessitam de cirurgia apenas nas amígdalas, nossa experiência demonstra que não há alteração na voz e, portanto, a cirurgia isolada da região das amígdalas pode ser realizada sem receio.


OUTRAS MALFORMAÇÕES CRANIOFACIAIS E SÍNDROMES QUE ACOMETAM A REGIÃO DA FACE:

Todas as malformações que acometem a face trazem riscos para a área dos ouvidos, nariz e garganta.

A triagem auditiva é preconizada para todos os indivíduos com malformação craniofacial ou com síndrome, que devem ser avaliados pelo otorrinolaringologista - por exemplo: nos indivíduos com Sequência de Pierre Robin, roncos e apnéia obstrutiva do sono (pausas respiratórias que ocorrem por fechamento da via aérea durante o sono) são comuns.

O diagnóstico e o correto tratamento dos problemas relacionados ao Otorrinolaringologista conferem funcionalidade ao portador de malformação craniofacial. O setor de Otorrinolaringologia objetiva o tratamento global de todos os pacientes, permitindo a eles escutar, aprender e respirar normalmente.


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